EVERETT F. HARRISON
Dicionário de Ética Cristã, Editora Cultura Cristã
(*) texto para leitura prévia à aula 05 - Classe dos Adolescentes da IPSBC
Se o orgulho for o pecado supremo, segue-se que seu oposto, a humildade, deverá ocupar importante lugar entre as virtudes. Agostinho (q.v.) reconhecia essa importância. O Antigo Testamento conferiu à humildade uma posição central para uma vida de verdadeira piedade (Mq 6.8) numa época em que o mundo pagão, especialmente o mundo grego, considerava essa virtude como sendo sinal de fraqueza ou de um espírito servil. O fato de que Deus mostra favor aos humildes (Pv 3.34) foi confirmado na escolha de Maria como mãe do Salvador, e constituiu o cerne de seu cântico de exultação (Lc 1.46-55).
Contudo, a grande mudança na apreciação da humildade veio com o impacto de Jesus Cristo sobre a humanidade. Sua encarnação foi a manifestação de humildade por excelência, pois o Filho de Deus tomou lugar junto aos filhos dos homens, não em majestade e poder de rei eterno, mas em obscuridade e pobreza (2Co 8.9). Seu ensino destacava a necessidade de humildade para a conversão (Mt 18.3-4) e para o discipulado (Lc 14.11). Segundo sua própria declaração, ele era “humilde de coração” (Mt 11.29).
Poderemos, até mesmo, ser humildes quanto à nossa posição humana, mas a não ser que sejamos humildes de coração, jamais seremos verdadeiramente humildes. No caso de Jesus, a humildade coexistiu com as declarações mais exaltadas de soberania, pelo simples fato de que afirmavam a verdade sem nenhum exagero, e não continham a expressão de um espírito ambicioso à procura de exaltação própria. Essa observação oferece ajuda para o cristão que deseje evitar o erro da falsa humildade. Jesus não se depreciava, e o cristão não deveria menosprezar a si mesmo (cf. Rm 12.3). Nosso Senhor foi humilde em palavras e em obras. O ato de lavar os pés dos discípulos não foi apenas um espetáculo para ser visto pelo mundo, mas uma lição que os seus jamais deveriam esquecer (Jo 13.3-17). Logo depois, veio o evento climático no qual ocorreu o maior de todos os atos de humildade. Como Paulo lembra, esse ato de humilhação sobre a cruz foi desempenhado por aquele que já havia se esvaziado ao assumir a forma de homem, e por isso mesmo, pôde ser o modelo para nós nessa área importantíssima da vida. O mesmo apóstolo, lembrando que era um dos principais pecadores porque havia perseguido a Cristo quando perseguia a sua igreja, fez da humildade um elemento fundamental de seu ministério (At 20.19). Reconheceu que a humildade era um aspecto essencial para a paz e para o progresso da comunidade cristã (Fp 2.3ss.).
A humildade poderá ser promovida mediante a experiência do sofrimento, por meio da reflexão sobre o fato de que nada possuímos que não tenhamos recebido de Deus, e por meio de nos lembrarmos constantemente de que somos totalmente dependentes da misericórdia e da graça de Deus.






